Engenharia Ambiental

 

Questões Gerais:

1. Como é o curso de graduação? Quais as principais matérias? Elas são interessantes?
O curso na Escola Politécnica da USP é dividido em biênio e triênio, somando cinco
anos. Nos dois primeiros anos, existem as matérias básicas, e mais difíceis, como
Cálculos, Físicas e algumas outras que servem também como um exemplo de cada ramo
da Engenharia. Nos três últimos anos, já há matérias mais interessantes por serem
específicas da área. Na Engenharia Ambiental, nos últimos três anos temos matérias
como Climatologia, Hidrometeorologia, Oceanografia, Química para Ambiental,
Poluição Atmosférica, Mecânica dos Solos, Remediação de Áreas Contaminadas,
Microbiologia, Toxicologia, entre outras.

2. Como é o mercado de trabalho?
O mercado de trabalho é bastante amplo e diversificado.
Serviços – maior demanda de profissionais entre os setores; neste setor estão as
consultorias ambientais, que investigam áreas contaminadas, remediam, fazem projetos
de estação de tratamento, estudos de impacto ambiental (EIA-RIMA), análises de risco,
licenciamento ambiental, encerramento de indústrias, etc. Também existem os novos
empregos relacionados a meio ambiente e finanças, como o crédito de carbono e a recente
abertura na bolsa de valoresde São Paulo para a operação de alguns certificados
ambientais.
Indústria – demanda variada; nas fábricas pode-se trabalhar como gerente do meio
ambiente e da segurança no trabalho, fazendo implantação de ISO 14000, segurança dos
trabalhadores, e alguns dos projetos de meio ambiente citados acima.
Governo – demanda variada e por meio de concurso. Nele, pode-se avaliar o trabalho
realizado pelas indústrias e pelas consultorias, aprovando-os ou não. É possível também
trabalhar para resolver os problemas das grandes cidades, como saneamento, energia,
trânsito e, principalmente, poluição da atmosfera, dos rios e lagos.

3. Qual o salário médio inicial? E depois de um certo tempo de formado?
Para engenheiros ambientais formados pela Poli, o salário inicial é o piso salarial do
CREA, atualmente R$3.527,00 o valor bruto, mas, em concursos, os valores variam
muito.

4. É fácil conseguir estágios nesta área? Qual é o valor médio da bolsa?
Na área de serviços ou de consultoria ambiental, é fácil arrumar estágio, em função do
recente mapeamento de São Paulo por Áreas Contaminadas. Mas, em indústria, é bastante
difícil conseguir um estágio. No governo (CETESB, SMA) não é tão fácil como em
consultorias, mas há bastante vagas. A bolsa-auxílio é em média de
R$550,00 – 20 horas semanais
R$750,00 – 30 horas semanais
R$1100,00 – 40 horas semanais
+ Vale refeição e /ou transporte

5. A faculdade tem algum convênio com faculdades do exterior?
A Poli tem todos os convênios possíveis. Toda semana aparece na Intranet vaga
disponível para intercâmbio, alguns totalmente gratuitos e outros em que é possivel
estudar sem custos e receber alguma bolsa, embora esta não supra todas as necessidades.
Por exemplo, há convênio com faculdades renomadas no Japão, Espanha, França,
Alemanha, Portugal, México, Canadá, Estados Unidos, Itália, entre outros.

6. Foi difícil passar no vestibular?
Apesar de ter sido um dos últimos alunos a passar, não achei muito difícil, pois existem
muitas vagas - são 800 por ano. Para Ambiental são 50 e nesse caso, há uma pequena
dificuldade; mas os que estão realmente interessados em seguir essa carreira conseguem
entrar. A dificuldade fica para aqueles que não se importam.

7. O curso é difícil?
O curso de Engenharia Ambiental é fácil, no geral, uma ou outra matéria é difícil, como
Oceanografia, que é a mais difícil da Poli. Mas, apesar de o curso ser mais fácil, ele
também é um dos mais longos da Poli. Engenharia de Produção é o mais curto, todos
duram cinco anos, mas Produção, por exemplo, tem aproximadamente 15 matérias a
menos, e isso é bastante tempo, que poderia ser gasto em estágios.

8. Qual é a área de atuação em alta neste momento?
A área em alta neste momento é a de Passivos Ambientais, ou investigações ambientais,
pois como a CETESB está mapeando o estado de São Paulo por áreas contaminadas, e
para qualquer venda, compra ou locação de imóvel, recomenda-se, primeiramente, a
realização de uma investigação.

9. Existe alguma área que está em crescimento? Qual? Qual a expectativa para os
próximos anos?
No caso de Passivos Ambientais, daqui a alguns anos, quando tudo já estiver mapeado,
será o momento de descontaminar tais áreas. O rio Pinheiros e o trânsito caótico de São
Paulo também ainda não estarão bons daqui a cinco anos.

10. A faculdade investe em pesquisas?
A USP é uma das faculdades que mais investe em pesquisa no Brasil. E empresas do
estado inteiro buscam ajuda da Poli para pesquisas e /ou know how.

Questões Adicionais:

1. Qual a diferença entre Gestão Ambiental e Engenharia Ambiental?
Gestão Ambiental: Seu objetivo maior deve ser a busca permanente da melhoria da
qualidade ambiental dos serviços, produtos e ambiente de trabalho de qualquer
organização pública ou privada.
Há também objetivos específicos da Gestão Ambiental, claramente definidos segundo a
própria norma NBR-ISO 14.001, que destaca cinco pontos básicos.
Além dos objetivos oriundos da norma ISO, em complemento, na prática, observam-se
outros objetivos que também podem ser alcançados por meio da Gestão Ambiental, a
saber:
· gerir as tarefas da empresa no que diz respeito a políticas, diretrizes e programas
relacionados ao meio ambiente e externo à companhia;
· manter, em geral, em conjunto com a área de segurança do trabalho, a saúde dos
trabalhadores;
· produzir, com a colaboração de toda a cúpula dirigente e os trabalhadores, produtos ou
serviços ambientalmente compatíveis;
· colaborar com setores econômicos, com a comunidade e com os órgãos ambientais para
que sejam desenvolvidos e adotados processos produtivos que evitem ou minimizem
agressões ao meio ambiente.
Engenharia Ambiental: possui um enfoque moderno, o que permite utilizar as mais novas
tecnologias, seja na avaliação do meio ambiente ou na criação e execução de projetos
relacionados a ele. A fundamentação equilibrada nas ciências básicas – Biologia, Física,
Matemática e Química – mais as disciplinas na área de Gestão Ambiental, Tecnologias de
Controle e Avaliação de Impactos Ambientais, proporcionam ao profissional uma
capacidade de análise completa do meio ambiente e a intervenção sobre o mesmo. Um
engenheiro ambiental tem uma visão mais crítica e analítica, e, como pode ser observado,
Gestão Ambiental faz parte do aprendizado do Engenheiro Ambiental, mas não acontece
o contrário. Engenharia Ambiental é um curso com nível mais elevado, sendo mais
difícil; no entanto, o mercado profissional fica menos restrito que o de Gestão Ambiental.
Mas, quem não gostar de matérias de exatas, deve preferir Gestão Ambiental ou, até
mesmo, Turismo Ambiental.

2. Como você conseguiu seus estágios?
O primeiro foi com a ajuda do CIEE (Centro Integração Escola Empresa), onde você se
cadastra e eles avisam quando há uma vaga com o seu perfil. O segundo, procurei no
Google por empresas de Engenharia Ambiental próximo à minha de casa: apareceram
cinco oportunidades e liguei em cada uma delas perguntando se precisavam de estagiário
- uma aceitou. O terceiro foi por indicação de um amigo que já trabalhava na empresa,
onde estou atualmente.

3. Como são normalmente os estágios?
Normalmente, os estágios na área de Engenharia Ambiental mesclam serviços de
escritório com trabalhos em campo. Existem dias reservados para a produção de
relatórios, negócios e contato com clientes em reuniões; em outros, o dia inteiro fica-se
em obras ou vistoriando, indústrias. Essa mistura de ambientes de trabalho é boa.

4. Como são as aulas para Engenharia Ambiental na Poli?
O interessante da Engenharia Ambiental é que ela mistura todas as áreas existentes:
exatas, biológicas e humanas, por isso, temos todos os tipos de matérias, desde
Microbiologia até Geologia, Sociologia até Mecânica. Isso é bom pois as aulas são
ministradas dentro e fora da Poli, temos aula na Poli, FFLCH (Filosofia e Ciências
Humaas), ICB (Biologia), IG (Geologia), Física, Química, Farmácia, Saúde Pública
(Hospital das Clínicas) e IAG (Astronomia e Geofísica). Deste modo, conhecemos e
interagimos com diferentes tipos de pessoas.

5. Como é a relação entre professor e aluno na Poli?
Como nos primeiros anos os professores têm uma turma de alunos muito grande, eles
acabam nem conhecendo ou reconhecendo os alunos e nem os alunos, os professores.
Nos últimos anos, em que a turma é menor (50 alunos no máximo), os professores
conhecem os alunos pelo nome e geralmente preocupam-se em ajudar o aluno, pessoal e
profissionalmente.

6. É a mesma coisa estudar Engenharia Ambiental na Poli, na EESC (Escola de
Engenharia São Carlos – USP), Unesp e outras faculdades?
Não.Na Poli as matérias estão bastante ligadas à formação de engenheiros que tenham
capacidade de resolver os problemas de São Paulo; provavelmente, as escolas de outros
municípios também tenham esse interesse. Assim, algumas matérias são obrigatórias
(decididas pelo governo) para todas as escolas, mas algumas são específicas para cada
escola. Outro diferencial é que, nas faculdades particulares, os alunos saem mais
despreparados para o mercado de trabalho, pois elas geralmente não possuem
laboratórios, e se possuem, não possuem o maquinário mais caro, que no caso de
Engenharia Ambiental é muito importante. A maioria das máquinas é cara. Porém, os
alunos de escola particular podem estagiar mais tempo do que os alunos da Poli, por
exemplo, aprendendo situações na prática.

7. Como você escolheu Engenharia Ambiental?
Quando entrei na Poli, queria fazer Engenharia da Computação, mas por problemas de
nota, tive que ir para a Grande Área Civil, que justamente no ano em que eu tinha que
escolher uma das especialidades, começou a oferecer Engenharia Ambiental. Por ser, na
época, uma área promissora, escolhi por Ambiental, e fico bastante feliz de não ter ido
para a Computação, já que fiz algumas matérias de lá e acabei por não gostar. Hoje em
dia, na Grande Área Civil, existem os cursos de Engenharia Civil, Engenharia Ambiental
e POLI-FAU (Engenharia Civil + Arquitetura, com duração de 7 anos).

 

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