Questões gerais:
1.Como é o curso de graduação, ou seja, quais principais matérias? Elas são
interessantes?
O curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo é em período integral, porém, com o
passar dos anos, o número de disciplinas vai diminuindo, abrindo espaço para a realização
de estágios. As aulas do período da manhã são relativas a matérias teóricas (Tecnologia,
História) e as matérias do período da tarde são em estúdio (Projeto, Planejamento,
Design). As disciplinas dividem-se em três grandes grupos: História (História da
Arquitetura, História do Urbanismo, Fundamentos Sociais...); Tecnologia (Construção do
Edifício, Conforto Ambiental, Infra-Estrutura, matérias da Poli-Civil...) e Projeto
(Edificações, Planejamento Urbano, Desenho Industrial, Programação Visual...). Na
primeira metade da graduação, as disciplinas a serem cursadas são pré-determinadas pela
própria faculdade (disciplinas obrigatórias); nos anos seguintes, as disciplinas a serem
cursadas são as chamadas “optativas”, as quais o aluno escolhe de acordo com seu
interesse, alguns já buscando um início de TFG (Trabalho Final de Graduação). É relativo
afirmar que as aulas sejam interessantes, pois isto parte do interesse do aluno em
determinado tema; o desenvolvimento do aluno não depende exclusivamente das aulas ou
dos professores, mas da iniciativa do estudante em buscar além do que a sala de aula lhe
oferece. Com o tempo, cada aluno vai construindo um caminho, o que significa se focar
mais em determinada área, remodelar a seqüência de determinadas matérias a serem
cursadas, buscar estágio e/ou iniciação científica; cada um acaba determinando seu ritmo
e seu interesse.
2.Como é o mercado de trabalho?
O mercado de trabalho para o arquiteto é bastante diversificado. Há possibilidades em
âmbito privado (escritórios, construtoras, empresas de consultoria, cooperativas), em
órgãos públicos (municipais, estaduais, federais), em pesquisa e em Organizações Não-
Governamentais.
3.Qual o salário médio inicial? E depois de um certo tempo de formado?
O salário médio inicial varia de acordo com a função e instituição na qual o profissional
está trabalhando. Segundo a Folha de São Paulo, o salário de um arquiteto, em média, é
de R$3.823,00.
4.É fácil conseguir estágios nesta área? Qual é o valor médio da bolsa?
Há uma demanda bastante grande de vagas para profissionais na área, incluindo
estagiários, devido ao boom imobiliário pelo qual São Paulo está passando e o início de
grandes obras de infra-estrutura incentivadas pelo PAC. Órgãos públicos como a
Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado também apresentam grande número de
vagas para estagiários, assim como ONGs. O valor da bolsa, em média, é de R$500,00.
5.A faculdade tem algum convênio com faculdades do exterior?
Sim, ela possui convênio com faculdades em países como Espanha, Portugal, Canadá,
França, entre outros.
6. Foi difícil passar no vestibular?
Em linhas gerais, passar no vestibular foi difícil. Porém, isso se torna menos difícil
quando se tem disciplina, determinação e dedicação. Estudei em escola pública toda a
minha vida, e fiz o cursinho junto com o terceiro ano do ensino médio. Foi bastante difícil
ter que aprender matérias inteiras em apenas um ano. Meu maior desafio era quanto à
prova de Física na segunda fase, pois entrei no cursinho sem saber sequer o que era um
vetor. Meu foco durante o ano todo foi as matérias da segunda fase, sobretudo Física.
Passei da primeira fase com apenas um ponto acima da nota de corte, o que tornava
minhas chances praticamente nulas; porém, não desisti, e tive um grande desempenho na
prova específica de desenho e fui aprovada na primeira chamada. As aulas de Linguagem
Arquitetônica foram fundamentais para que eu conseguisse passar na FAU.
7.O curso é difícil?
Sim, ele exige tempo e dedicação, aspectos difíceis de serem conciliados com o curso
integral. Moro na Zona Leste e, a cada ano, demoro mais tempo para chegar à faculdade,
o que reduz meu tempo de estudo e de descanso. Cada aluno possui um ritmo diferente, e
cada um vai se adaptando (ou adapta) a grade horária. Minha opção foi trancar algumas
matérias para não sobrecarregar meu ritmo de estudos e abrir espaço para fazer estágio.
Todos os anos, 150 alunos ingressam no curso de graduação; destes, pouquíssimos se
formam em 5 anos (da minha turma, apenas 3 alunos estão realizando o TFG).
8.Qual é a área de atuação que está em alta neste momento?
É difícil definir uma área específica em alta. Acredito que, assim como em diversas outras
profissões, o tema da sustentabilidade é um elemento bastante requisitado; e, assim como
em outras profissões, há uma grande dependência do momento histórico e de incentivos
políticos para determinada área abrir espaço para profissionais. O “boom” imobiliário em
São Paulo, o Programa de Aceleração para o Crescimento (PAC), equipamentos públicos
(como os CEUs – Centro Educacional Unificado) são exemplos disso.
9.Existe alguma área que está em crescimento? Qual? Qual a expectativa para os
próximos anos?
Conforme respondido anteriormente, são são fatores difíceis de prever, por dependerem
de um dado momento histórico (como a consciência da importância da sustentabilidade) e
de políticas públicas (obras de infra-estrutura, equipamentos, habitação).
10.Como é a estrutura da faculdade? Tem bons laboratórios, bibliotecas, etc?
A faculdade possui o maior acervo de arte e arquitetura da América Latina; muitos alunos
de outras faculdades/universidades e muitos profissionais realizam consultas no acervo da
FAUUSP, o que evidencia a importância do mesmo. Um aluno já formado pela FAU
ainda pode realizar empréstimos da biblioteca, ou seja, ele ainda é reconhecido como
parte da comunidade FAUUSP.
Há diversos laboratórios, os quais são bastante requisitados para prestar consultoria a
grandes projetos (geralmente, de caráter público); atualmente, o LabHab (Laboratório de
Habitação/Assentamentos Humanos) está trabalhando em uma pesquisa sobre o Plano
Nacional de Habitação, a pedido do Ministério das Cidades. Embora os laboratórios
apresentem grande interface entre a universidade e a população, não há muito contato dos
alunos (ou seja, os laboratórios são “fechados”).
A faculdade dispõe de outros elementos, que funcionam como suporte às disciplinas,
como o CESAD (no qual você consulta mapas, documentos relativos à legislação,
jornais); o LAME (o qual dispõe equipamentos para corte, dobra e solda de metais e
madeira), o canteiro experimental, entre outros.
11.A faculdade investe em pesquisas?
Sim, mesmo de forma indireta (fazendo com que o próprio aluno se interesse por isso). Os
laboratórios abrem bastante espaço para a realização de pesquisa (incluindo dos alunos –
iniciação científica).
Questões Adicionais:
1. Qual foi o impacto entre o que você imaginava da faculdade e os primeiros meses de
aula?
Foi grande, pois é um ritmo completamente diferente do Ensino Médio, a
responsabilidade é muito maior e sua vida profissional vai se formando ao mesmo tempo
em que você está entrando na vida adulta, ou seja, há muito amadurecimento em todos os
aspectos. Quando ingressei na faculdade, achava que o arquiteto apenas construía
edificações; entrei na faculdade e vi que ele faz muito mais do que isso, vi que há muitas
coisas realizadas por um arquiteto que tocam nosso cotidiano; foi então que descobri áreas
como planejamento urbano e paisagismo. Só na faculdade eu fui realmente ver o que é
Arquitetura, o que faz um arquiteto.
2. Qual o diferencial da universidade pública na atuação profissional?
Uma universidade pública abre espaço para discussões que vão além do curso, como seu
posicionamento político, suas convicções no ato de projetar, sua contribuição diante da
sociedade depois de formado. O fato do curso ser integral oferece mais carga horária de
aula do que outras faculdades de Arquitetura, o que permite uma formação mais voltada
para a área de “humanas”, isso permite ao profissional contextualizar melhor as
problemáticas que vai enfrentar no exercício da profissão, sobretudo quando se trata do
planejamento no município, do dia-a-dia do cidadão.
3. Há muita desistência no seu curso? Por quê?
Não há muita desistência, mas ela existe. Muitos descobrem que não é esta a carreira que
querem seguir, e descobrem isso somente durante o curso. Daí, a desistência.
4. Como é o impacto entre a vida acadêmica e o mercado de trabalho? Há muita diferença?
Sim. O curso de arquitetura da FAUUSP é voltado para a formação intelectual do
profissional, e não para a formação técnica do mesmo. Nesse sentido, o estágio é
importante para que o aluno conheça o mercado de trabalho e as áreas de atuação que lhe
interessem; além de adquirir conhecimentos técnicos e “operacionais” (como se estrutura
um escritório de arquitetura, por exemplo), o estudante começa a sentir as dificuldades do
mercado e os conflitos com os ideais construídos pela universidade. Torna-se um
momento bastante importante no amadurecimento antes do ingresso definitivo no
mercado de trabalho.
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